Você já se pegou irritada com uma atitude de alguém e, mais tarde, percebeu que você mesma já agiu assim com outras pessoas?
Essa reflexão pode ser desconfortável, mas é também uma das mais poderosas ferramentas de autoconhecimento e cura emocional.
O outro funciona como um espelho que reflete partes nossas que ainda não estão curadas ou que não queremos enxergar.
É natural que, em nossa jornada, a gente se depare com pessoas que despertam reações intensas — raiva, impaciência, frustração, julgamento.
Mas o que acontece, na verdade, é que essas reações não são causadas diretamente pelo outro, e sim pelo que existe em nós e ressoa com aquela situação.
A psicologia chama isso de projeção emocional. Ou seja: ao invés de lidar com sentimentos internos, acabamos projetando no outro aquilo que ainda não queremos assumir em nós.
Você se irrita com alguém que fala alto e é expansivo. Mas talvez, lá no fundo, você esteja se reprimindo em expressar sua própria voz. Ou talvez tenha crescido ouvindo que “mulheres precisam ser discretas”, e essa crença ainda age em você.
Esse ditado popular — “quando você aponta um dedo, três estão apontados para você” — ilustra perfeitamente essa dinâmica.
Quando julgamos alguém por ser desorganizado, autoritário, preguiçoso ou egoísta, é válido se perguntar:
“De que forma eu estou sendo assim com alguém? Será que sou assim comigo mesma? Será que já fui assim em outros contextos?”
Essas perguntas são convites para sair da posição de vítima e abraçar a autorresponsabilidade emocional, onde deixamos de culpar os outros por nossos sentimentos e começamos a cuidar do que está desorganizado dentro de nós.
Essa ideia pode ser desafiadora, especialmente quando sentimos que temos razão. Mas na jornada de cura, ter razão não é o mais importante — o mais transformador é perceber o que cada situação tem a nos ensinar.
Cada pessoa que cruza seu caminho, especialmente aquelas que mais te provocam, carrega um presente invisível: a oportunidade de enxergar onde ainda há trabalho interno a ser feito.
Às vezes, o que incomoda no outro é algo que você ainda não expressa e gostaria de viver, e em outras vezes, é um comportamento que você reproduz sem perceber — com outras pessoas, ou consigo mesma.
Toda vez que você sente desconforto com alguém, pode ser útil se perguntar: